'Aeroporto' no mar, bondes, uma só avenida e população 89% menor que a atual: conheça a Salvador de 100 anos atrás

'Conheça as curiosidades da Salvador de 100 anos atrás "Aviões" que decolavam do mar, transporte público com bondinhos, somente uma avenida aberta em toda a...

'Aeroporto' no mar, bondes, uma só avenida e população 89% menor que a atual: conheça a Salvador de 100 anos atrás
'Aeroporto' no mar, bondes, uma só avenida e população 89% menor que a atual: conheça a Salvador de 100 anos atrás (Foto: Reprodução)

'Conheça as curiosidades da Salvador de 100 anos atrás "Aviões" que decolavam do mar, transporte público com bondinhos, somente uma avenida aberta em toda a cidade e população 89% menor que a atual. São características que parecem distantes quando falamos da Salvador atual, mas se passaram apenas 100 anos desde quando essa era a realidade do município. Entre 1910 e 1930, a cidade, que completa 477 anos neste domingo (29) e foi a primeira capital do Brasil, ainda dava início a um longo processo de modernização. Um marco da época foi a Avenida Sete de Setembro — a primeira construída no município. Além de dar um passo para o futuro, a nova via nasceu em 1915 com o intuito de melhorar o trânsito da região, que abrigava a maior parte da população que habitava a cidade naquela época. O nome, assim como ocorrido em outras cidades, veio como uma homenagem ao marco da Independência do Brasil. "O intuito também era deixar a cidade mais bonita, no ponto de vista das construções e do arruamento. As ruas eram muito tortas e estreitas, queriam alargar e endireitar. (...) Era um período de mudanças. A República queria trazer coisas novas do ponto de vista urbano", destacou o historiador Jaime Nascimento, em entrevista ao g1, para o especial "Salvador passado, presente e futuro". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Ao todo, a avenida tem 4,6 km de extensão, partindo da icônica Praça Castro Alves até o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador. No trajeto, passa pelo Campo Grande e pelo Corredor da Vitória, pontos nobres da cidade. Hidroporto da Ribeira, bondes elétricos e Avenida Sete, em Salvador, entre as décadas de 1910 e 1970 Fundação Gregório de Mattos/Acervo Prefeitura Municipal de Salvador Atualmente, segundo a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), a média diária de fluxo pela via é de mais de 10 mil veículos, somente no trecho da orla. Uma realidade diferente de 100 anos atrás, quando transitavam pelo local os poucos carros da época e também bondes. Setor de transporte passou por diversas transformações Dos puxados por burros aos elétricos, os bondinhos integraram o transporte público entre o século 19 e o ano de 1961, já no século 20, tornando a cidade uma referência do período. Esses teleféricos só foram ofuscados com o avanço dos ônibus, que chegaram a partir da década de 1920. Outro destaque do transporte da época eram os hidroaviões, construídos para decolar e pousar sobre a superfície da água. E, por isso, antes mesmo de ter um aeroporto, Salvador teve um terminal aéreo no mar: o Hidroporto da Ribeira. Localizado na orla da Península Itapagipana, na Cidade Baixa, o equipamento foi inaugurado em 1939, e, assim como os outros privilégios da época, só era acessado pelos ricos que moravam no município ou que viajavam para conhecê-lo. Hidroporto da Ribeira, em Salvador Fundação Gregório de Mattos Ao longo do seu funcionamento, recebeu famosos como o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, e o ator norte-americano Errol Flynn, estrela de Hollywood da época. Segundo o historiador Jaime Nascimento, a imponência só caiu em meados da década de 1940, quando a primeira versão do aeroporto de Salvador foi inaugurada, no limite entre a capital e o município de Lauro de Freitas, na região metropolitana. "Precisava ter uma pista grande e lá era uma região que estava crescendo, tinha espaço sobrando e era distante. E também por se criar a base aérea na mesma região. Para a Aeronáutica, era melhor", conta Nascimento. Antes da Segunda Guerra Mundial, que foi quando houve investimento para a construção do novo equipamento, o espaço era apenas um campo de pouso. Com as mudanças, o hidroporto fechou as portas e, atualmente, segue fechado na orla da Ribeira. Já o aeroporto passou por algumas requalificações, sendo a última em 2019, quando foi modernizado. Ao longo dos anos, já foi Aeródromo de Santo Amaro do Ipitanga, Aeroporto Dois de Julho e Aeroporto Luis Eduardo Magalhães. Atualmente, segundo a Vinci Airports, que é responsável pelo terminal aéreo, o Salvador Bahia Airport recebe cerca de 20 mil passageiros em mais de 120 voos por dia. Confira imagens de Salvador 100 anos atrás População cresceu à margem dos avanços sociais De 1920 a 2022, quando foi feito o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população de Salvador deu um boom de mais de 2 milhões, saindo de 283.422 habitantes para 2.417.678. (Confira a tabela ao final do texto) Nessa busca pelo avanço, muitos serviços hoje tidos como essenciais chegaram à cidade com restrições para a maior parte das pessoas. Foi o caso da energia elétrica e da telefonia, por exemplo, que eram "luxos" disponíveis apenas para aqueles que podiam pagar muito. "Essas coisas nunca foram pensadas para serem universalizadas de fato. Isso só aconteceu aos poucos", ressaltou o historiador Jaime Nascimento. Segundo ele, se destacavam com acesso à eletricidade os prédios mais importantes da cidade, como o extinto Teatro São João, que funcionava na Praça Castro Alves, e também a Igreja de Senhor do Bonfim. Baixa dos Sapateiros, Avenida Joaquim José Seabra, nos anos 1930 Reprodução Entre 1970 e 1980, cinquenta anos após a chegada da eletricidade no município, ainda existiam imóveis que eram iluminados a velas, principalmente nos bairros mais afastados do Centro. Já os telefones fixos só se popularizaram nos anos de 1990, quando as condições de aquisição das linhas foram facilitadas. Antes disso, era comum ver na cidade pessoas que compravam e alugavam linhas telefônicas para outros moradores. "Tinha gente que vivia de alugar, que tinha 10 linhas telefônicas alugadas. A pessoa pagava a ela para ter o telefone instalado em casa e pagava a conta. Você abria o classificado do jornal, tinha lá um monte de anúncio". A partir de 1972, quando os orelhões chegaram no estado, ficou mais barato usá-los para se comunicar à distância. Os aparelhos públicos ainda ofereciam uma fonte de renda para as pessoas que vendiam fichas na época. Mas a chegada e a consequente popularização dos celulares enfraqueceram o negócio nas últimas décadas até que, em janeiro de 2026, foi anunciada a remoção dos orelhões que ainda funcionam em todo o Brasil. A medida marca o fim de uma era ultrapassada na telefonia. População de Salvador ao longo dos anos Veja como era Salvador nas décadas de 1980 e 1990 LEIA MAIS: Há 115 anos chamada de 'Chile', 1ª rua do Brasil preserva história e tenta recuperar 'charme' na Bahia Com mais de 80 anos, sorveterias fazem parte de roteiro turístico de Salvador Elevador Lacerda 150 anos: história do meio de transporte representa arte e cultura em Salvador; veja programa especial completo Veja mais notícias do estado no g1 Bahia Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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