Dez pessoas são presas em operação contra integrantes da presidência e diretoria de torcida organizada do Bahia

Vítima relata tortura sofrida na sede da torcida organizada do Bahia Dez pessoas foram presas na manhã desta segunda-feira (28), durante uma operação contra...

Dez pessoas são presas em operação contra integrantes da presidência e diretoria de torcida organizada do Bahia
Dez pessoas são presas em operação contra integrantes da presidência e diretoria de torcida organizada do Bahia (Foto: Reprodução)

Vítima relata tortura sofrida na sede da torcida organizada do Bahia Dez pessoas foram presas na manhã desta segunda-feira (28), durante uma operação contra integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, torcida organizada do Bahia, em Salvador. Entre os presos estão o presidente da torcida, Matheus Castro, e o vice-presidente, Luciano Venâncio. Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a ação investiga casos de tortura dentro da sede do grupo, na capital baiana. A operação foi realizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio das forças de segurança do estado. Além das dez prisões, 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Presidente e vice estão entre os dez presos em operação contra integrantes da torcida organizada do Bahia Presidente e vice estão entre os dez presos em operação contra integrantes da torcida organizada do Bahia Reprodução/Redes Sociais De acordo com a promotora de Justiça Thelma Leal, do MP-BA, todos os integrantes presos teriam participado das agressões, em maior ou menor proporção. "O presidente e o vice estão presos. Todos participaram ativamente dos atos de tortura, de alguma forma, com maior ou menor proporção. Os relatos das vítimas dão conta que todos que estão presos participaram." A promotora também afirmou que, entre os dez presos, está a cúpula da Bamor. "Entre os dez presos está a cúpula da Bamor. Todos os diretores e presidentes estão presos. A gente espera que com isso, a Bamor inaugure uma nova era de verdade, que a Bamor busque novas lideranças, a pacificação e que a gente possa tratar agora com seres humanos, de verdade, que busquem a paz e não com atos de selvageria tão graves como esse que aconteceu e que está sob mira da operação." 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Vítimas foram torturadas durante horas Sede da torcida organizada Bamor, localizada em Salvador Google Maps As investigações apontam que pelo menos duas pessoas foram submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da torcida, em julho deste ano. De acordo com o MP-BA, as vítimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades. Segundo Thelma Leal, uma das vítimas foi chamada à sede da torcida para prestar esclarecimentos sobre um suposto desfalque. Como não teria confessado a prática, passou a ser torturada. "O primeiro foi convidado para a sede e não desconfiou porque era associado. Lá pediram para ele confessar a prática desse desfalque, um valor relativamente baixo, e como ele não confessou, começaram as sessões de tortura com espancamento, simulação de afogamento com sacos plásticos, perfuração das mãos, que é uma coisa absurda. Também utilizaram taco de beisebol, marteladas, foram algumas horas de muita tortura. No dia seguinte, pegaram a outra vítima e também praticaram essas torturas." Ainda de acordo com as apurações, as agressões teriam incluído ameaças, sufocamento e afogamento. Os investigadores também apontam o uso de tacos de beisebol, martelo e faca durante as sessões de violência. Além da tortura, a investigação apura possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa. De acordo com a promotora Thelma Leal, a segunda vítima teve o celular levado durante as agressões e transferências bancárias teriam sido realizadas para outras pessoas. "A gente tem informação de que a segunda vítima teve o celular subtraído nesse momento e que foram feitas transferências bancárias para outras pessoas. Isso configura crime de extorsão para essas pessoas." 'Medo de sofrer represália' Presidente e vice estão entre os presos em operação contra integrantes da Bamor Uma das vítimas, que preferiu não revelar a identidade por medo de represálias, contou detalhes sobre as agressões em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, em julho deste ano. Segundo o relato, ela foi até a sede da torcida para prestar esclarecimentos e não imaginava que seria torturada. "Compareci, de boa-fé, a fim de prestar todos os esclarecimentos a ele, apesar de não ter cometido nenhum ilícito e saber da possível fraude que houve, mas em momento algum eu suspeitei que seria torturado." A vítima afirmou que as agressões duraram cerca de quatro horas. "Foi uma média de quatro horas de tortura. Elas se deram com pauladas, taco de beisebol, tentaram fragmentar minhas orelhas e dedos com alicates, afogamentos com pano na boca e água." Ela também afirmou que os responsáveis não apresentaram provas de que teria participado de alguma fraude. "Eles não apresentaram nenhuma prova. O que eles apresentaram foi uma suspeita, mas prova válida não apresentaram nenhuma. A todo momento eu afirmei para eles que não participei, que eu sequer sabia do que estava fraudado. À medida que eu soube da fraude, tomei as medidas cabíveis e fiz a reunião com eles." Segundo a vítima, durante as agressões, os suspeitos exigiram a senha de uma conta bancária. Ela afirmou que o dinheiro foi transferido para uma conta da associação. "Foi uma tortura, pancadas, 'diga a senha', 'fale logo'. Eu falei a minha senha e eles acessaram uma das minhas contas, que tinha um valor aproximado de R$ 5,8 mil e eles transferiram exatamente para a conta da associação." Por medo, a vítima disse que teme sofrer represálias. "Tenho medo de sofrer represália, mas a gente precisa parar esse tipo de ilícito." Bamor não é alvo da investigação, diz promotora Thelma Leal afirmou que a operação é direcionada aos integrantes da torcida e que a Bamor, enquanto associação, não é investigada no caso. "Se pede muito a punição ao CNPJ. Essas prisões são aos integrantes da Bamor. A sede foi fechada porque foi lá que aconteceram os fatos. É importante dizer que a Bamor não está sendo investigada." Segundo ela, existe outra investigação envolvendo a associação no Ministério Público. "A Bamor, enquanto associação, ela tem outra esfera de investigação no Ministério Público. No momento, a gente não tem medidas previstas contra a Bamor. Muito pelo contrário, a gente espera que ela possa ter pessoas que possam trazer essa pacificação." A promotora também afirmou que o MP-BA trabalha na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a torcida. "Nós estamos com a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta, em andamento, onde a gente prevê que a torcida possa punir esse integrante que pratique o crime. A gente espera que a nova diretoria da Bamor, que será constituída, possa banir esses cidadãos que praticaram o crime dentro da associação, e que eles nunca mais possam acessar o local como torcida organizada." Policial militar está entre os investigados De acordo com a SSP-BA, entre os investigados está um policial militar. Segundo Thelma Leal, ele era associado à Bamor e teria participado das agressões, mas o MP-BA não tem informação sobre eventual cargo ocupado por ele na torcida. "Ele era associado da Bamor, chegou lá no local e praticou a sessão de tortura contra os cidadãos. A gente não tem a informação de se ele ocupava algum cargo, mas ele era integrante." Os nomes dos outros presos não foram divulgados. A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, em conjunto com equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e órgãos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Participam da operação equipes do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e da Força Correcional Especial Integrada (Force), além de unidades especializadas das polícias Civil e Militar. A SSP-BA informou que a investigação busca esclarecer quem participou das agressões e qual foi o envolvimento de integrantes da direção da Bamor nas denúncias. O caso segue em investigação. LEIA TAMBÉM: Imagem de Santa Dulce é destruída dentro de igreja de Salvador Três homens são achados mortos em área de mata em Salvador Casal é preso por furtar na Micareta de Serrinha após polícia achar 11 celulares escondidos em colchão e armário de pousada Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. 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