Jaques Wagner ganhou 5 ingressos de camarote para show de cantora internacional por R$ 63 mil em Los Angeles, diz PF
Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero A Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, rec...
Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero A Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, recebeu cinco ingressos de camarote para um show de uma cantora internacional, cujo nome não foi revelado, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2023. LEIA TAMBÉM: Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas como apartamento e R$ 3,5 milhões, diz PF Saiba como Jaques Wagner teria atuado em benefício do Banco Master, segundo a PF Segundo a investigação, os bilhetes foram adquiridos por orientação de Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master, por R$ 63.339 (entenda a relação entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro mais abaixo). A PF afirma que os ingressos foram destinados a familiares do parlamentar, não estando claro se Wagner era um dos beneficiados O custo total da aquisição foi de R$ 63.339. A informação aparece em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou busca e apreensão em endereços ligados ao senador, nesta quinta-feira (18). A PF investiga uma suposta relação ilícita entre Wagner e pessoas ligadas ao Banco Master. A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta. LEIA MAIS: PF cita cobrança de enteado de Jaques Wagner a gestor do Master: 'Amanhã vence os boletos' O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Carlos Moura/Agência Senado De acordo com a decisão, Augusto Ferreira Lima orientou sua secretária, em junho de 2023, a providenciar os ingressos. A compra foi feita pela empresa REAG Investimentos S.A., após tratativas que também envolveram João Carlos Mansur. A defesa de Augusto Lima afirmou que ele "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". As mensagens analisadas pela PF mostram que, em 23 de novembro de 2023, Wagner perguntou a Augusto sobre os "ingressos de sábado", em referência a um show que aconteceria, segundo a PF, no dia 25 daquele mês, em Los Angeles, na Califórnia. Em resposta, recebeu os arquivos dos bilhetes para o camarote. Segundo a investigação, o senador pediu posteriormente que o número de entradas fosse ampliado para cinco pessoas. Augusto respondeu enviando mais dois ingressos. A mensagem reproduzida na decisão diz: "Pronto amigo. Seguem os outros dois". A PF cita o episódio como um dos exemplos da proximidade entre Wagner e Augusto Ferreira Lima. A investigação também menciona outras supostas vantagens recebidas pelo parlamentar, como o uso de aeronaves privadas e negociações relacionadas à aquisição de um apartamento em Salvador. LEIA TAMBÉM: Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia O caso integra a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa envolvendo gestores e operadores ligados ao Banco Master. A 9ª fase da Operação Compliance Zero revela detalhes das suspeitas que pesam sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo informações obtidas pela TV Globo e que constam nos autos, o foco central desta fase é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. "A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master", diz um trecho da decisão. A apuração teve um avanço, segundo a PF, após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, que revelaram a dinâmica do suposto esquema. "A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero", detalha outro trecho do documento. Augusto Lima, dono do Banco Pleno Vanner Casaes/Agência Alba Qual a relação entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro A relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima teve origem nos negócios do Banco Master. Lima levou ao grupo a operação do CredCesta, um cartão consignado voltado a servidores públicos da Bahia que se tornou uma das principais frentes de atuação da instituição financeira. Ao longo dos anos, Augusto Lima passou a ser tratado como um dos principais aliados de Vorcaro e participou de negociações consideradas estratégicas para o crescimento do conglomerado e é apontado como um elo importante entre operações financeiras e articulações de interesse do grupo. De acordo com as investigações, Vorcaro chegou a recorrer a Augusto Lima em meio a crises relacionadas a denúncias que atingiam o banco. Em uma dessas ocasiões, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal, o banqueiro teria pedido ajuda ao ex-sócio para conter a repercussão de acusações sobre aportes suspeitos envolvendo o Rioprevidência. Nas investigações mais recentes, a Polícia Federal também passou a atribuir a Augusto Lima um papel relevante não apenas na estrutura financeira ligada ao Banco Master, mas também nas conexões políticas investigadas. A proximidade entre Lima e figuras públicas aparece em diferentes frentes da apuração e é citada pela PF como um dos elementos centrais para compreender a rede de relacionamentos construída em torno do grupo.