Tecnologia na educação: entenda como a IA pode auxiliar no aprendizado

Salesianos Bahia incorporam disciplinas de tecnologias e robótica educacional na grade curricular desde a educação infantil DIVULGAÇÃO O debate sobre o uso...

Tecnologia na educação: entenda como a IA pode auxiliar no aprendizado
Tecnologia na educação: entenda como a IA pode auxiliar no aprendizado (Foto: Reprodução)

Salesianos Bahia incorporam disciplinas de tecnologias e robótica educacional na grade curricular desde a educação infantil DIVULGAÇÃO O debate sobre o uso de tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem ganha um novo tópico em 2026. É que a rápida popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa está transformando o cotidiano das escolas e acendendo o alerta para temas como autoria e senso crítico. No Brasil, sete em cada dez estudantes do ensino médio já usam IA para realizar pesquisas escolares. Os dados são da 15ª edição da TIC Educação, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). De acordo com o levantamento, apenas 32% dos estudantes que fazem uso das plataformas afirmam ter recebido algum tipo de orientação em sala de aula. Raiane Silva, coordenadora do Núcleo de Tecnologia Educacional dos Salesianos Bahia, acredita que a melhor maneira de se apropriar das tecnologias na educação é encará-las como meio e não como fim. “A tecnologia deve estar a serviço da aprendizagem, da formação humana, do desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade, da colaboração e da resolução de problemas reais. Ou seja, apropriar-se da tecnologia na educação é integrá-la ao projeto pedagógico, com intencionalidade, planejamento e propósito formativo”, elencou. Vale frisar que o uso de IA nas escolas não é uma novidade de 2026. Nos últimos cinco anos a sociedade passa por um cenário de experimentação, curiosidade e, sobretudo, urgência no que diz respeito à tecnologia, que resultou em dois grandes grupos: de um lado, aqueles que se prendiam ao medo do novo e resistiram o máximo que conseguiram sem a utilização das tecnologias e ferramentas de IA, e do outro, aqueles que usavam de forma exagerada, acrítica e sem planejamento. Para a coordenadora, a IA é mais uma etapa natural do processo de evolução das tecnologias e impacta diretamente o contexto educacional. Nesse cenário, a escola assume o papel de mediar o uso consciente dessas ferramentas, compreendendo que não se trata apenas de utilizar a tecnologia, mas de integrá-la de forma crítica, ética e pedagógica. “Por meio de um uso reflexivo e intencional da IA, o professor pode criar estratégias que auxiliem o educando a pensar mais, aprofundar suas reflexões, desenvolver autonomia intelectual e fortalecer habilidades como análise, interpretação, argumentação e produção de conhecimento, evitando práticas superficiais e estimulando uma aprendizagem verdadeiramente significativa”, completou. Grade curricular A partir de 2026, a presença de ferramentas tecnológicas será cada vez maior nos processos de ensino-aprendizagem. Escolas de todo o Brasil devem implementar a BNCC Computação, complemento à Base Nacional Comum Curricular, que estabelece habilidades e competências essenciais de computação para os estudantes. Segundo Raiane, para algumas famílias a presença de disciplinas que estimulem o desenvolvimento do pensamento crítico, lógico e computacional, a exemplo de robótica educacional, já é um dos fatores determinantes na hora de escolher a instituição onde matricular crianças e adolescentes. “Essas são competências que se tornaram demandas fundamentais da sociedade contemporânea. Quando os conteúdos curriculares são apresentados por meio de metodologias ativas mediadas por tecnologia, o estudante deixa de ser apenas receptor e passa a ser autor, construtor e investigador do próprio conhecimento, o que gera mais sentido, envolvimento e aprendizagem significativa”, afirmou. Para a nova geração, ter fluência digital é tão importante quanto saber ler e escrever, e neste cenário, a instituição de ensino que consegue dialogar ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática por meio de uma proposta STEAM e da cultura maker, proporciona um importante diferencial para os futuros profissionais e cidadãos. “Essas abordagens favorecem a produção do conhecimento de maneira mais crítica, reflexiva, dialógica e autônoma, alinhada às reais necessidades dos estudantes e às exigências do mundo atual”, acrescentou. O ensino das tecnologias e da robótica educacional já está incorporado à proposta pedagógica dos Salesianos Bahia de forma estruturada e progressiva. Desde a Educação Infantil, os estudantes têm contato com propostas que desenvolvem pensamento lógico, criatividade, resolução de problemas e cultura maker. Do Infantil 3 até o 5º ano, os estudantes possuem aula fixa semanal de robótica educacional, integrada à grade curricular. Nessas aulas, os professores desenvolvem propostas inovadoras que dialogam diretamente com as necessidades pedagógicas dos alunos e com os conteúdos trabalhados em sala. Nos anos finais e no ensino médio, os professores especialistas utilizam tecnologias educacionais em suas práticas, com estímulo ao desenvolvimento de projetos mais específicos envolvendo robótica. “A tecnologia educacional trabalhada nos Salesianos Bahia não está voltada apenas à montagem de robôs. Trata-se de uma ferramenta pedagógica interdisciplinar, que desenvolve habilidades como raciocínio lógico, pensamento computacional, criatividade, trabalho em equipe, planejamento, testes e protagonismo juvenil. Ela prepara o estudante não só para a tecnologia, mas para a vida, para resolver problemas, trabalhar em grupo e pensar de forma estruturada e criativa”, pontuou a coordenadora. Na prática, disciplinas de tecnologia colaboram para o desenvolvimento de habilidades como pensamento lógico, criatividade, autonomia e trabalho em equipe Divulgação Silvia Bomfim, professora de robótica no Colégio Salesiano Dom Bosco, vivencia diariamente os resultados dos projetos interdisciplinares desenvolvidos na Rede Salesiana na Bahia. As abordagens STEAM e as metodologias ativas, contribuem para que o aluno assuma o protagonismo do próprio aprendizado. Na prática, ela observa estudantes mais engajados, participativos e motivados, desenvolvendo habilidades como pensamento lógico, criatividade, autonomia e trabalho em equipe. “Quando o aluno constrói, testa, erra e ajusta, a aprendizagem se torna mais significativa e duradoura”, elencou. Na instituição, a disciplina de robótica educacional é desenvolvida em parceria constante com professores de todos os segmentos da educação básica, utilizando recursos como LEGO Prime, LEGO Essential e Cubetto, que possibilitam o trabalho com programação em blocos e pensamento computacional, sempre conectados aos conteúdos trabalhados em sala de aula. O trabalho é potencializado pelo uso de edtechs educacionais, como Matific, Árvore do Livro e Estante Mágica, além das novas soluções: Pense+, Aprimora e Robotics, adotadas pela Rede Salesiana em parceria com a Positivo, que passarão a ser implementadas a partir de 2026, ampliando ainda mais as possibilidades pedagógicas.  Os projetos de robótica também ganham visibilidade em momentos institucionais, como a Mostra Cultural, onde os alunos apresentam, na prática, soluções criativas construídas ao longo do processo pedagógico. Formação continuada No que se refere ao papel do educador, a pesquisa mostra que a maioria dos professores brasileiros (54%) têm interesse em aprender sobre o uso de tecnologias digitais nos processos de ensino e de aprendizagem. Silvia Bomfim é um desses exemplos. Professora de Robótica, além de vivenciar diariamente a temática, ela participa do processo contínuo de formação promovido pelo Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) dos Salesianos Bahia, que prepara os professores para o uso pedagógico das tecnologias digitais e da IA de forma ética, consciente e alinhada ao projeto educativo da instituição. “A formação continuada nos permite a clareza de que a tecnologia não substitui o professor, mas fortalece seu papel como mediador da aprendizagem, garantindo intencionalidade pedagógica e foco no desenvolvimento integral do estudante”, pontuou. Na formação continuada os professores da Rede Salesiana passam por orientações acerca do uso de recursos digitais, sempre vinculando essas ferramentas às práticas pedagógicas e às necessidades reais dos estudantes em sala de aula. Além disso, ao final de cada ano letivo, são realizadas formações específicas sobre novas tecnologias e edtechs. “Quando a tecnologia é bem integrada, com intencionalidade educativa, ela não gera perda de controle, mas sim maior engajamento e corresponsabilidade do aluno pelo próprio aprendizado. As metodologias ativas, a sala de aula invertida e os projetos interdisciplinares favorecem esse equilíbrio, pois o professor continua conduzindo o processo, estabelecendo objetivos claros, critérios e acompanhamento constante”, concluiu.

Fale Conosco